quarta-feira, 27 de julho de 2016

Vila Olímpica :Rio 2016

Vila Olímpica

Onde as estrelas se encontram

Foto: André Motta/brasil2016.gov.br
Quando as centenas de delegações desembarcarem no Rio de Janeiro em 2016, com seus milhares de atletas e demais profissionais envolvidos nos Jogos, o primeiro destino será a Barra da Tijuca. A região foi escolhida para receber a Vila Olímpica e Paralímpica, casa dos atletas durante as competições. É lá que os esportistas passarão parte do tempo quando não estiverem em suas provas ou treinos.
O local reúne os mais variados grupos de atletas, com suas diferenças culturais, religiosas e de idioma. Os dias de hospedagem na Vila proporcionam um grande intercâmbio cultural e geram oportunidades de troca de experiências entre as maiores estrelas do esporte mundial.
A Vila foi entregue ao Comitê Rio 2016 em 15 de junho de 2016 e tem capacidade para receber 17.950 atletas e integrantes de equipe técnica durante os Jogos, em 3604 apartamentos. São 31 edifícios, e todos eles têm unidades adaptadas para pessoas com deficiência ou pouca mobilidade. As portas são mais largas, os chuveiros são mais altos, os corredores mais amplos e os elevadores têm espaço para duas cadeiras de rodas ao mesmo tempo.
Foto: Gabriel Heusi/brasil2016.gov.br

A vila foi incluída na Parceria Público Privada que viabilizou grande parte do Parque Olímpico e, desta forma, não contou com aporte de verba pública. Cerca de 18 mil pessoas trabalharam na construção. Foram usados 430 mil metros cúbicos de concreto, equivalente a 215 piscinas olímpicas, e 43 mil toneladas de aço. A infraestrutura inclui ainda 360km de tubulações (água, esgoto e gás), 7,5 km de fios e cabos e 3,8km de ciclovias.   Sustentabilidade
A Vila dos Atletas ganhou pré-certificação LEED ND (ligada ao desenvolvimento de bairros), concedida pelo Green Building Council, entre outras certificações. O empreendimento tem 10 mil m2 de telhados verdes, que reduzem a sensação térmica, e conta com 75 placas solares para aquecimento da água. Além disso, cerca de 85% dos resíduos gerados na obra foram reaproveitados. Uma estação de tratamento permite ainda que a água que é usada para lavar as mãos e tomar banho seja reutilizada em vasos sanitários e na irrigação, gerando economia de cerca de 40% no consumo.
Previsão de conclusão: entregue
Tipo de instalação: nova e permanente
Ente financiador: privado (financiamento da Caixa Econômica Federal)
Valor: R$ 2,909 bilhões (financiamento da Caixa Econômica Federal: R$ 2,33 bilhões; recursos próprios - terreno: R$ 579 milhões)
Executor: privado

História

Uma disputa milenar


Desde sua primeira edição na Era Moderna, em 1896, em Atenas, até Londres, em 2012, os Jogos Olímpicos cresceram ao ponto de se transformarem no maior evento do planeta e único capaz de reunir delegações de mais de 200 países em uma mesma cidade. Para se ter uma ideia da força dos Jogos na atualidade, nem mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) consegue agregar tantas nações. 
A tradição olímpica remonta há 2.500 anos e tem origem na Grécia Antiga. Naquele tempo, foram disputadas quase 300 edições, que deixaram de ocorrer tempos depois da invasão dos romanos à Grécia.

A origem


O Templo de Parthenon, em Atenas: Grécia foi o berço dos antigos Jogos Olímpicos e também da primeira edição dos Jogos na Era Moderna. Foto: ShutterstockA cultura ocidental deve muito aos antigos gregos. O legado deixado por essa civilização ainda hoje ecoa, com influência em setores tão distintos como a medicina, a geometria, a física, a arquitetura e o teatro, entre outros.
Quando o assunto é esporte olímpico, as marcas se tornam ainda mais evidentes. Se o planeta, desde o fim do século 19, celebra a cada quatro anos o maior evento esportivo da humanidade, isso só é possível porque, lá atrás, há mais de 2.500 anos, os gregos lançaram a semente das Olimpíadas.
Reza a mitologia que os Jogos nasceram pelas mãos do grande Hércules, ainda na Era Antiga, por volta de 2.500 a.C., para homenagear seu pai, Zeus. Hércules teria plantado a oliveira de onde eram colhidas as folhas para emoldurar a coroa a ser usada por quem triunfasse nas competições. O termo “olímpico”, entretanto, só surgiria cerca de dois mil anos depois.
Os primeiros registros históricos das Olimpíadas datam de 776 a.C., época em que os vencedores começaram a ter seus nomes registrados. Foi nesse período que o termo “Olimpíadas” surgiu, após Iftos, rei de Ilia, aliar-se ao monarca de Esparta, Licurgo, e ao rei de Pissa, Clístenes. A aliança foi selada no templo de Hera, localizado no santuário de Olímpia. Vem daí o nome “Olimpíadas”.
Por meio desse acordo, instituiu-se uma trégua, considerada sagrada em toda a Grécia, no período em que os Jogos fossem disputados. Esse acerto era levado tão a sério que, durante a Guerra do Peloponeso (conflito armado entre Atenas e Esparta, travado entre 431 e 404 a.C.), rivais deixaram as rusgas de lado para competir nos Jogos.
Um fator climático, entretanto, limitou a realização plena dos Jogos em 776 a.C.. Um temporal desabou sobre Olímpia e impediu que a maioria das provas programadas fosse disputada. A única que se concretizou foi uma corrida pelo estádio, vencida por um cozinheiro, Coroebus de Elis. Ao completar a distância de 192,27 metros, ele tornou-se o primeiro campeão olímpico da história.
Após os Jogos de 776 a.C., ficou acertado que as Olimpíadas seriam realizadas a cada quatro anos, sempre durante os meses de julho ou agosto e em um período de cinco dias, com  provas abertas aos gregos que fossem cidadãos livres e que nunca tivessem cometido crimes. Durante as décadas seguintes, a competição ganhou força e o número de modalidades chegou a dez, por volta do século 5 a.C., com provas de corrida, arremesso de disco, pentatlo, corrida de bigas, corrida de cavalos, salto em distância, lançamento de dardo, boxe, luta e pancrácio (arte marcial antiga que aliava técnicas do boxe e da luta olímpica).
As competições eram vetadas às mulheres, que não podiam nem mesmo assistir às disputas, com exceção das sacerdotisas de Dêmetra. As mulheres, contudo, tinham um torneio próprio, disputado pouco antes das Olimpíadas, no mesmo estádio de Olímpia, e que era batizado de Heraea, uma homenagem a Hera, a esposa de Zeus.
A tradição das Olimpíadas, entretanto, sofreria um duro golpe com a invasão dos romanos à Grécia, em 456 a.C.. O espírito olímpico arrefeceu com o passar do tempo e as competições passaram a ser encaradas como meros combates. Assim, a última Olimpíada da Era Antiga foi realizada em 393 a.C.. O imperador Teodósio I cancelou os Jogos, após proibir a adoração aos deuses. Terminava ali um período de competições notáveis da história grega, com 293 edições dos Jogos Olímpicos antigos.

O sonho de Coubertin


Estátua do Barão de Coubertin em Atlanta, sede dos Jogos Olímpicos em 1996. Foto: ShutterstockForam necessários cerca de 1.500 anos para que alguém tivesse a idéia de resgatar uma competição nos moldes das Olimpíadas dos gregos antigos. Coube a um pedagogo e historiador francês a tarefa de levar adiante o sonho de que o mundo pudesse juntar-se de tempos em tempos em um grande evento esportivo.
Nascido em 1º de janeiro de 1863, Pierre de Frédy, que se tornaria conhecido como o Barão de Coubertin, tinha antepassados que receberam títulos de nobreza do rei Luís XI. Em 1567, um de seus familiares adquiriu o Senhorio de Coubertin, próximo a Paris, e, a partir daí, a família adotou o nome da localidade para distingui-la.
Formado em ciências políticas e avesso à carreira militar, o Barão de Coubertin passou a se dedicar à tentativa de reformar o sistema educacional francês. Em 1892, apresentou, na famosa universidade Sorbonne, em Paris, um estudo intitulado “Os exercícios físicos do mundo moderno”, que já demonstrava seu engajamento no campo esportivo. Na ocasião, expôs seu projeto de recriar as Olimpíadas, mas a ideia acabou não empolgando.
Dois anos depois, em 24 de junho de 1894, em uma convenção novamente realizada na Sorbonne, com a presença de delegados de 13 países, o Barão de Coubertin obteve da Grécia uma promessa que acabaria por revolucionar o esporte no século seguinte: os gregos concordaram em sediar a primeira Olimpíada da Era Moderna, em Atenas. A partir daí, como se fez na antiguidade, a competição seria realizada de quatro em quatro anos.
Naquela convenção, constituiu-se o Comitê Olímpico Internacional (COI), entidade da qual o Barão de Coubertin foi o primeiro secretário-geral e, depois, o segundo presidente, sucedendo o grego Dimítrios Vikélas.
A primeira Olimpíada da Era Moderna foi disputada entre 6 e 15 de abril de 1896, com delegações de 14 países, que somavam 241 atletas. Eles competiram em 43 eventos, de nove modalidades.

Desde então, os Jogos Olímpicos foram interrompidos apenas durante os períodos da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais, travadas, respectivamente, entre 1914 e 1918 e 1939 e 1945. A competição cresceu década após década até se tornar o maior evento da humanidade, não só no esporte, mas em qualquer nível, reunindo, desde os Jogos de Atenas, em 2004, delegações de mais de 200 países.
Apesar de a frase não ser de sua autoria – ela é creditada a um bispo de Londres, que a teria dito antes dos Jogos de 1908 –, o Barão de Coubertin adotou um lema que se tornou famoso mundialmente: “O importante não é vencer, mas competir. E com dignidade”.
Pierre de Frédy morreu em 2 de setembro de 1937, aos 74 anos, em Genebra, e foi enterrado em Lausanne, também na Suíça, sede do Comitê Olímpico Internacional. Seu coração, porém, está sepultado em outro local, cujo simbolismo resume o sonho que ele perseguiu e tornou real. O coração do Barão de Coubertin repousa em Atenas, capital da Grécia, num monumento erguido em sua homenagem, localizado nas proximidades das ruínas do Templo de Olímpia.

0 comentários:

Postar um comentário