quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Paripiranga na história: A última das entregas? Publicado por Rodrygo Ferraz em quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Paripiranga na história: A última das entregas?

Publicado por Rodrygo Ferraz em quarta-feira, 26 de outubro de 2016


A foto acima, tirada em 1940, na casa do senhor Bernardino Barbosa, hoje localizada à Rua Padre Vicente Valentim, no centro da cidade de Paripiranga, na Bahia, em que retrata umgrupo de cangaceiros(Ângelo Roque, Saracura, Deus-te-Guie, Jandaia/Laranjeira? e Patativa) com suas esposas e proles aparecendo em momento histórico, já que os membros do grupo comandado por Ângelo Roque(Labareda) seriam, em tese, os últimos cabras de Virgolino a se entregarem ou abandonarem a vida nômade do cangaço pelos sertões nordestinos.

Vale também ressaltar que, entre os mesmos, encontra-se o natural de Paripiranga, nascido na fazenda Curral, o também cangaceiro Benício Alves dos Santos, vulgo Saracura, que participou do bando de Lampião e dos subgrupos de Zé sereno e Labareda. Este mesmo saracura enfrentou um dos mais ferozes inimigos de Virgolino: o nazareno Odilon Flor. Em vídeo postado na net podemos ver o mesmo, agora ex-cangaceiro Saracura, falando um pouquinho sobre suas aventuras e do grande choque ao bater de frente com Odilon Flor. Na comunidade Barreiras(hoje abandonada e com quase nenhum resquício de sua existência, pois segundo alguns antigos moradores sofria permanentemente ataques de cangaceiros), localizada perto da estrada entre o povoado Maritá e a divisa entre Paripiranga e Pinhão(SE), Odilon ficou montando guarda e, foi aí que, Virgolino aproveitou-se da ira pelo qual ele e o nazareno nutriam um contra o outro, para insuflá-lo para a disputa de um combate feroz no qual quase toda a volante do nazareno foi submetida a uma emboscada construída perniciosamente por Lampião. Felizmente, Odilon Flor soube ser estratégico e valente o suficiente para afugentar o subgrupo de Labareda e escapar mais uma vez das garras de seus mais ferozes desafetos.

Segundo relatos de pesquisadores, Odilon Flor formou uma das tropas volantes mais destemidas do tempo do cangaço que passaram pelo Nordeste baiano. Seus comandados eram sertanejos calejados e sobreviventes de opressões de todos os tipos. Odilon fazia suas escolhas de tropa observando as origens dos futuros soldados. Caso o sertanejo fosse vaqueiro, já teria lugar cativo no grupo, pois Odilon Flor sabia que, somente sertanejos poderiam ser combatidos pelos próprios sertanejos, ou seja, só conhecendo como pensa e age o homem é que o outro pode atuar no intuito de dominá-lo. Cidades como Santo Antonio da Glória(Hoje Nova Glória), Jeremoabo, Bebedouro(hoje Coronel João Sá) e Paripiranga foram alguns dos locais de escolhas de novos volantes. Isso é importante, pois revela que muito ainda se tem a contar sobre a participação dos paripiranguenses nas duas partes envolvidas no cangaço que é um tema que ainda causa muitos tabus, excessivo senso comum e impede que mais pessoas possam ter seus nomes imortalizados nessa página complexa da história da Brasil. Odilon Flor foi um singular comandante, pois desenvolvera uma verdadeira tropa de elite dentro das volantes. Sob suas ordens, Zé Rufino também aprendeu a lidar com os facínoras e passou para a história como um dos comandantes mais importantes no combate ao banditismo organizado no sertão naquela época. Este último recebeu os louros da vitória sobre a busca de Corisco e sua esposa Dadá em maio de 1940 no sertão baiano, quando o Diabo Loiro tentou fugir para Goiás em busca de uma paz que jamais teria. Aliás, o Diabo Loiro foi ferido nos braços em local que alguns pesquisadores acreditam pertencer a Paripiranga ou a Pinhão. E esse fato, que aconteceu provavelmente em 1939, fez o assecla desistir da vida errante e procurar novas paragens.

E a foto em destaque: Terá sido ela o registro da última das entregas de membros do cangaço,ainda soltos pelas caatingas entre a Bahia e Sergipe no começo da década de 40 do século passado? Em que data(dia e mês) foi feita esta foto? Paripiranga teria sido o local da última entrega de cangaceiros da História? De que forma se deu a referida entrega e qual o papel das autoridades locais daquela época no intuito de contribuir para o fim dos resquícios do cangaço na Bahia e em Sergipe?Por que os cangaceiros liderados por Ângelo Roque(Labareda) entregaram-se em nossa cidade e não em outra localidade sertaneja?

Para aqueles e aquelas que têm possíveis respostas sobre essas indagações, peço encarecidamente que deixem seus comentários, para que possamos aumentar mais ainda o debate sobre tantas informações que precisam vir à luz na procura incansável pelo saber construído historicamente e, desta forma, tornar a vivência sertaneja incluída realmente como ponto de referência na história do Brasil.

Com informações do Lampiao Aceso
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