sexta-feira, 10 de março de 2017

Igreja Católica:Papa Francisco, a ordenação de homens casados e os "momentos de vazio" religioso

Igreja Católica

Papa Francisco, a ordenação de homens casados e os "momentos de vazio" religioso

Em entrevista ao jornal alemão Die Zeit, o papa Francisco falou das próximas visitas, que incluem a Colômbia, e daquilo que chama a ameaça do populismo.
Papa Francisco
O papa Francisco acredita que a Igreja deve estudar se é possível ordenar homens casados para ministrar em comunidades remotas onde não existem padres.
Numa entrevista publicada esta quinta-feira no jornal alemão Die Zeit, o papa defendeu que a remoção da regra do celibato não é a solução para a escassez de sacerdotes católicos, mas mostrou abertura para estudar se os "viri probati" - ou homens casados de fé comprovada - poderiam ser ordenados.
"Devemos considerar se 'viri probati' é uma possibilidade, e determinar quais as tarefas que podem realizar, por exemplo, em comunidades remotas", disse.
A proposta "viri probati" existe há décadas, mas tem tido maior visibilidade com este papa em parte graças aos desafios que a Igreja enfrenta em lugares como o Brasil, um país católico de grande dimensão e com uma escassez aguda de sacerdotes.
O cardeal brasileiro Claudio Hummes, amigo de longa data do papa Francisco e ex-chefe de gabinete do Vaticano para o clero, tem vindo a pressionar para que sejam permitidos os "viri probati" na Amazónia, onde a Igreja conta com um sacerdote por cada 10.000 católicos.
"Também eu tenho momentos de vazio"
Nesta primeira grande entrevista a um jornal alemão, o papa Francisco foi também questionado sobre a fé, e a sua fé em particular, Inquirido sobre se já tinha passado por momentos em que duvidou da existência de Deus, Francisco respondeu: "também eu sei o que são momentos de vazio".
Perguntado sobre como podem os fiéis ajudar quando as pessoas passam por crises de fé, o Santo Padre lembrou que estes períodos são uma oportunidade para crescer: "Não se pode crescer sem crises: na vida humana, acontece a mesma coisa. Mesmo o crescimento biológico é uma crise, não? A crise de uma criança que se torna um adulto. E com a fé passa-se o mesmo", disse o sumo pontífice, lembrando que um crente que não sinta isto permanece num estado "infantil".
Os perigos do populismo
Nesta entrevista, o papa Francisco falou ainda dos perigos do populismo crescente nas democracias ocidentais: "O populismo é maligno e acaba mal como o século passado mostrou", disse, acrescentando um alerta para "um messianismo" que se esconde por trás deste fenómeno.
O atual momento da Igreja Católica, incluindo as críticas que são feitas à atuação do Santo Padre, também foi tema de conversa, ao que o papa Francisco respondeu: "Vou fazer-lhe uma confissão sincera sobre isso. Desde que fui eleito, nunca perdi a minha paz. Entendo que alguns possam não gostar da minha maneira de agir mas a verdade é que há tantas maneiras diferentes de pensar, é licito, é humano, é uma riqueza."
Seguindo esta linha de pensamento, o papa Francisco elogiou uma série de cartazes que surgiram em Roma e que, com algum humor negro, acusavam o papa de não ser misericordioso. "É bom que consiga rir-se da situação", disse o entrevistador, ao que Francisco respondeu, "mas é claro! É uma das coisas pelas quais eu rezo, peço para ter sentido de humor".
A entrevista terminou com o tema das possíveis futuras viagens do Santo Padre. Francisco confirmou que além de Portugal (peregrinação do 12 e 13 de maio, no Centenário das Aparições de Fátima), está na sua agenda deslocar-se à Colômbia ainda em 2017, bem como à Índia e ao Bangladesh, apontando ainda como uma possibilidade visitar o Egito.

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