quinta-feira, 18 de maio de 2017

Turbulência no Planalto era prenúncio de bomba

Turbulência no Planalto era prenúncio de bomba

por Jorge Bastos Moreno
O presidente Michel Temer
Há 15 dias, um sussurro começou a rondar a Esplanada dos Ministérios: uma bomba cairia sobre o presidente Michel Temer. Começou a surgir então todo o tipo de especulação, mas nenhuma na dimensão relatada pelo colunista Lauro Jardim.
Os primeiros sinais de que algo de grave estava por acontecer vieram de alguns gabinetes do próprio Supremo Tribunal Federal. Pareciam mais insinuações do que informações. Cochichos aqui e acolá: reuniões permanentes entre a presidente do Supremo, a ministra Cármen Lúcia, e o relator da Lava-Jato, Edson Fachin, quebravam a rotina da Corte. Discretíssima, a presidente do STF permanecia, como é de seu costume, fechada em copas. Como ninguém é de ferro, certo dia, ela deixou escapar para um colega: “Não estou conseguindo dormir”. Nada mais foi dito, nada mais foi-lhe perguntado. E, se fosse, Cármen Lúcia certamente não responderia.
Finalmente, na última sexta-feira, um ministro de Estado desabafou que sabia que estava vindo um petardo na direção do Palácio do Planalto e que, como o presidente da República, que também já tinha conhecimento disso, desconhecia o conteúdo e de onde viria essa bomba.
— Estamos tateando no escuro — disse o ministro, acrescentando que o próprio presidente Temer não tinha ainda a dimensão do estrago que isso causaria ao governo. Mas sabia que, de pronto, poderia comprometer as votações da reforma em curso.
Um observador da movimentação do governo reparou que o presidente Temer, nos últimos dias, começou a investir pesado na conquista do apoio dos chamados setores representativos da sociedade, anunciando sacos de bondades para diversos setores produtivos. Especulava-se que, com isso, tentava sair do um dígito de popularidade, mas, agora, com a revelação de Lauro Jardim, percebe-se que ele já estava procurando boias no escuro, com a luz da lanterna dos afogados.
Análise publicada no site do GLOBO

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