sábado, 22 de julho de 2017

“ACM foi um grande político da direita nacional, de posições autoritárias”, define senadora Lídice da Mata sobre maior rival

“ACM foi um grande político da direita nacional, de posições autoritárias”, define senadora Lídice da Mata sobre maior rival

Dez anos após a morte do principal rival político, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) mostrou serenidade ao dizer que não há razão de comemorar e nem lamentar a morte de Antonio Carlos Magalhães. “Esse é um ciclo normal da vida”, ponderou, antes de contextualizar grande parte das brigas mútuas que mantiveram, sobretudo após ela ser eleita a primeira prefeita de Salvador, em 1992.
“O senador ACM foi um grande líder político da direita nacional e eu sou uma política de esquerda. Tínhamos divergências muito claras de como se dá o relacionamento político republicano. O senador era um homem de posições autoritárias, centralizadoras e eu represento o inverso disso, acho que a política tem que ser democrática, que nós devemos respeitar o desejo do povo. Pra nós, foi muito importante a vitória, tanto a minha, como a de Jaques Wagner (para governador da Bahia, em 2006), com ele em pleno vigor político” definiu a parlamentar, de 61 anos.
As declarações foram dadas em 60 minutos de entrevista no programa Reunião de Pauta, transmitido com exclusividade pelo portal do Aratu Online e página do www.facebook.com/aratuonline. Na conversa,
Lídice antecipou que vai pedir preferência à reeleição na chapa majoritária para 2018. “Essa chapa não está fechada, o único nome confirmado é o do governador (Rui Costa). Mesmo o nome do querido ex-governador Jaques Wagner é um nome em perspectivas, com todas as credenciais para ser candidato ao senado. O nome do vice governador João Leão também. Assim como meu nome, já que eu sou senadora”, falou ela, demonstrando interesse em ter mais oito anos.

“Em princípio, eu acho que eu tenho preferência, porque já fui eleita para o Senadora. Assim como o nome do senador Walter Pinheiro. Eu continuo disponível para continuar nessa luta no senado. Esse título de primeira mulher a chegar ao senado da Bahia é difícil de carregar, e agora, depois que elegeu vai retirar da mulher a conquista que realizamos? “, questionou.
Lídice colocou o machismo como uma das razões para o impeachment de Dilma Rousseff. “Ela foi vítima de agressões e recebeu o ódio à sua posição de mulher. Ela sofria ataques pessoais e não ao governo”. Perguntada pelo jornalista Matheus carvalho se a petista fizera um bom governo, Lídice respondeu que um mandato que chega a 10% de aprovação estava em dificuldades. “A presidenta Dilma cometeu um erro: foi eleita numa disputa acirrada para realizar um programa de governo e iniciou o seu governo se aproximando do programa do adversário. Ela perdeu a simpatia daqueles que a apoiaram e não ganhou a simpatia dos que a rejeitavam”.
“Dilma não teve, no exercício do mandato, o jogo de cintura, a conversa política necessária, com o Parlamento. Não é uma conversa fácil, os pleitos que chegam são difíceis, mas se alguém for eleito para estar lá tem que ter condição de enfreitar esses pleitos. Ou dizendo não e ganhando uma parcela da sociedade e ficar contra esse parlamento, ou cedendo ao parlamento”.
Lídice apontou falhas no governo de Dilma, mas disse que ela foi vítima de machismo
A respeito da perspectiva de fusão entre PSB e DEM, a senadora foi espirituosa: “Vou dizer Vade Retro ao DEM”. Para Lídice, isso se trata de uma tentativa da cúpula da sigla e de uma bancada dissidente contra a maioria do partido. “O DEM mudaria de nome e incorporaria esses deputados. Eu dou razão a eles e já diria que deviam ir logo, porque é um encontro de identidades. Perderam a legitimidade”.
Sobre o colega Walter Pinheiro, senador licenciado para assumir a Secretaria de Educação da Bahia e sem partido, ela ratificou o convite feito anos atrás. “Eu não tenho dúvidas de quando ele quiser, pode ingressar e terá as portas abertas ao nosso partido”.
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Lídice não tem registrado no site pessoal o fato de ter sido filiada ao PSDB, inclusive na eleição para prefeita. Ela negou ter apoiado a candidatura de Fernando Henrique Cardoso para presidente em 1994, quando nacionalmente o partido aceitou a aliança com Antonio Carlos Magalhães. A parlamentar diz que o rompimento na campanha foi decisivo para que ela se afastasse dos sociais democratas.
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A parlamentar explicou as razões de fazer uma oposição sistemática ao projeto atual de reforma trabalhista. “Num país com rotatividade de emprego tão grande, toda vez que o patrão for negociar diretamente com o empregado, o trabalhador vai ter que aceitar propostas desvantajosas”, criticou Lídice.
Ela concorda que o governo federal ganhou uma sobrevida e não aposta em renúncia. “Ninguém tem 342 (votos), nem o governo, nem a oposição. Agora, ele (Temer) reverteu, porque quem tem a necessidade desses votos é a oposição. Ele não tem popularidade, mas é muito forte no parlamento, porque ele está sabendo usar o poder de persuasão: distribuição de cargos, liberação de emendas parlamentares. Com Dilma, qualquer movimento que houvesse nessa direção era escândalo nacional”
No Reunião de Pauta, a parlamentar desconversou sobre não haver registros de seu mandato pelo PSDB
Perguntada sobre diferenças e semelhanças entre ACM e Neto, a cachoeirana que morou parte da infância em Alagoinhas foi irônica: “Não sou especialista nem no avô dele nem nele. O carlismo existiu enquanto Antonio Carlos existiu, agora existem pessoas que copiam o modelo dele fazer política. Acho até que o prefeito de Salvador tentou se afastar bastante dessa imagem na primeira eleição. Ele copia o avô em algumas pautas, mas são pessoas diferentes, o que há de igual é o extrato político, a expressão de um governo que governa com o olhar da elite”.
Ela explicou que o projeto de lei em que exige pelo menos 35% de cacau na composição de qualquer chocolate fabricado no Brasil deve favorecer o mercado no baixo sul da Bahia. “O cacau é responsável por termos uma grande área da Mata Atlântica protegida. Depois da vassoura de bruxa, com todos os prejuízos, os produtores tiveram a necessidade de agregar valor à cadeia produtiva. Hoje nos grandes supermercados já encontramos chocolate produzido na Bahia, por isso, nós valorizamos dizendo que para ser chocolate tem que garantir 35% da presença da amêndoa do cacau”, sugere a senadora.

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