quarta-feira, 26 de julho de 2017

Geddel, Senado em 2018 e a crise interminável do governo Temer; entrevista com Lúcio Vieira Lima

Geddel, Senado em 2018 e a crise interminável do governo Temer; entrevista com Lúcio Vieira Lima

Bastou o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB) sentar na poltrona e Carreirinha, seu cãozinho de estimação, invadiu o cenário escolhido para a entrevista. Pulou no colo do dono, posou para foto e observou atentamente o bate-papo. Esse Carreirinha sabe é de coisa! Dizem, inclusive, que o chuchuzinho deve participar ativamente da próxima campanha do parlamentar. Será que vai aparecer nos santinhos? Porém, resta saber se para a disputa proporcional ou majoritária, já que Lúcio almeja uma vaga no Senado Federal.

“Eu sou o deputado federal mais votado na Bahia e na primeira eleição (2010) fui o segundo. Nessa agora eu cresci e fui o primeiro. Graças a Deus, tenho um bom nome nacionalmente. Participei de comissões importantes, estou presidindo agora a importante comissão de reforma política. Então, eu tenho perfeitas condições de ser indicado pelo PMDB numa vaga majoritária. Da mesma forma, tem outros nomes no PMDB, como Leur Lomanto, Hildécio Meireles, Pedro Tavares, Luciano Simões, Fábio Mota…”, disse.
Lúcio teve pouco mais de 221 mil votos em 2014. Sobre a disputa entre ACM Neto e Rui Costa para o governo baiano em 2018, ele acredita que “os dois grupos políticos estão muito bem formatados”.
“Será uma eleição difícil. Vai depender muito da capacidade de cada um de manter e ampliar aliados. É natural que a oposição ao prefeito ACM Neto chore. Essas pesquisas que colocam Neto na dianteira, eu não vejo motivo para salto alto e sim para estimular. Eu não posso dizer que Neto é imbatível, eu já vi muita gente sair na frente da pesquisa e depois perder, como foi o caso de Paulo Souto. Mas hoje Neto é o amplo favorito”, opinou.
Confira abaixo outros trechos da entrevista.


Crise interminável
“Quando se pensava que iria diminuir, continuou e até se aprofundou. Por ser um governo Temer é que não foi maior a crise. Se tivesse continuado a presidenta Dilma, com certeza, o país já teria virado a Grécia. É justamente pelo fato de Temer ter o apoio congressual, ser alguém oriundo do parlamento, ter uma relação pessoal muito boa com parlamentares, ser respeitado, ser tido como homem que cumpre compromisso, é que o país não degringolou de vez”.
Temer abre o cofre do Governo Federal
“Ruim seria se a oposição elogiasse. A oposição, infelizmente, tem interesse que a crise se amplie para que ela possa ter chance de retornar ao Poder e para colocar em prática novamente o programa que levou o país a esse caos, a tanto desemprego, a inflação elevada, juros lá em cima, dólar alto. Quando Temer assumiu fez mudanças que implicaram numa sinalização da recuperação econômica. Se é verdade que Temer está abrindo o cofre, se é verdade que Temer está pagando emenda de parlamentares, eu fico feliz. Eu até torço que isso aumente. Porque? Porque são os municípios que são favorecidos. As emendas não são para o deputado colocar no bolso. Do jeito que eles acusam, parece que Temer está pegando dinheiro e dando a parlamentar. Temer está pagando as emendas impositivas para municípios que os parlamentares representam, quer seja com obras, quer seja com serviços. Com toda certeza, quem está sendo beneficiado é povo. Agora, infelizmente, o Governo não tem esse dinheiro todo que a oposição quer passar a impressão que tem”.
PMDB e a chapa majoritária em 2018
“Me diga qual o partido ou o candidato que não teve problema?Todos os candidatos, a praticamente todos os cargos, tiveram algum tipo de citação ou problema, quer seja de Lava Jato, quer seja de Caixa 2. Então, nesse aspecto, o jogo está empatado. O PMDB continua forte e muito forte. Não abateu em nada. O PMDB continua tendo o maior tempo de televisão, tem o deputado federal mais votado da Bahia, tem uma bancada de cinco deputados na Assembléia Legislativa, é o quarto partido em número de prefeituras, tendo Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia. O PMDB tem o vice-prefeito de Salvador, vice de Feira de Santana. Então, eu não vejo como ter outro partido que reúna melhores condições de estrutura para fazer parte da chapa e apoiar o prefeito ACM Neto. E essa história de candidato não ter ou ter densidade, me perdoe. Quem tem densidade é o partido. Se for avaliar os quadros dos partidos, é todo mundo japonês com uma ou outra diferença”.
Atuação do Poder Judiciário e do MPF nos casos Geddel e Lula
“Não devemos fazer críticas ou elogios a Justiça em função dos cargos daqueles que eles culpam ou inocentam. Então, não é pelo fato de Geddel ser um ex-ministro ou pelo fato de Lula ser um ex-presidente que a gente deve julgar a Justiça. A Justiça tem que ser igual para todos cidadãos. Agora, em alguns casos, quando você ver figuras públicas que dão mídia, a gente ver um certo comportamento em que não se baseia no Direito, nas leis. Você começa a sentir que a Justiça sofre influência da opinião pública. E você sabe que juízes, magistrados e ministros não podem sofrer essa influência. E justamente por não poder e não dever é que eles tem o cargo vitalício. Eles recebem salários elevados, inclusive, muitas vezes quiseram aprovar a questão de colocar punição e todos foram contra para ter independência. Então, não pode ficar pautado pela opinião pública ou pela imprensa, mas sim pelos autos. Quem tem que se preocupar com a opinião pública são os políticos porque nós disputamos eleição de quatro em quatro anos. Nós seremos julgados de quatro em quatro anos. O juiz não. O juiz só é julgado pela sua consciência. Muitas vezes, se o juiz dar uma sentença dentro da lei, mas contra o que a imprensa pensa, ele é execrado. Começam a inventar histórias e inventar ilações. Então, nesse aspecto, está muito difícil. Mas existem as instâncias recursais. Eu tenho certeza que a Justiça vai seguir o caminho correto e dando amplo direito de defesa”.

Reforma Política
“Tempo vai dar, aquela Casa só trabalha aos 45 do segundo tempo. A Reforma Política já foi amplamente discutida. O difícil é chegar ao consenso. Você tinha o financiamento privado de empresas e atribui essas irregularidades que estão aí anunciadas na imprensa, como sendo irregularidades em função disso. Então, eu não vejo clima para se manter e para voltar o financiamento de empresas. Não tendo o financiamento de empresas onde é que vai ter? O financiamento de pessoa física não é tradição no Brasil. O povo muitas vezes diz: cada um que se eleja com seu dinheiro. Aí na hora que coloca isso de financiamento público começa a briga. Mas aí só vai eleger ricos. Tem que colocar um teto para pessoa física. Democracia tem custo. Você gastando dinheiro na democracia no país, você está investindo no país. É porque as pessoas não se lembram como era no tempo da ditadura. Alguns não viveram, outros não leram a respeito… Se a gente está falando aqui e se chama atenção com alguns problemas, mesmo com a imprensa livre e o Judiciário, imagina no regime como a ditadura, onde filho é sequestrado e não tem onde se queixar? Irmão torturado e não tem onde se queixar? Patrimônio tomado e não tem onde se queixar? Nós vivemos em uma democracia representativa, onde o povo elege seus representantes. A ditadura, com toda certeza, é o pior regime do mundo. É o caos, é o inferno. Então, você tem que ter financiamento com recursos públicos efetivamente. O voto em lista já foi descartado diante das críticas infundadas que teve. O distrital misto termina não podendo ser implantado porque o TSE disse que não tem condições de dividir o país em distritos. Estamos prevendo é que o sistema que será aprovado agora será um sistema de transição para que em 2022 se aplique o distrital misto, onde metade é eleito em lista e metade no candidato. Cada cidadão vai ter dois votos. Ou seja, um voto você vai votar no partido e outro voto no candidato. O distritão, você elege os mais votados independente de partido. Você aí já acaba com a coligação e com efeito Tiririca, que tem um milhão e meio de votos e elege cinco ou seis com ele. E que o povo não sabe nem quem é e não tinha a intenção de votar. E diminui também a despesa, porque os partidos não vão ter interesse em lançar uma chapa completa para que os votos de legenda forme o coeficiente para eleger um. Então, vai acabar aquela história de um partido ir buscando candidato para colocar 50 candidatos e eleger um, onde o partido termina gastando propaganda com candidatos que tem 5 votos, 10 votos, 100 votos… Os partidos vão terminar colocando na chapa apenas 3, 5 candidatos que tem realmente viabilidade eleitoral. Então, o recurso que vem é melhor aproveitado. Agora, o voto distritão é um voto que tem que ser aprovado via PEC. Ou seja, precisa de quórum qualificado, precisa de 308 votos. Manter o atual com algumas mudanças, como fim da coligação e etc, termina facilitando a aprovação. Eu ainda continuo achando que o distritão é o favorito”.

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