segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Zé Ronaldo recua e admite que governo Rui criou escolas: 'Mas número é insignificante'

Fotos: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias
Após atacar o atual governador da Bahia e candidato à reeleição, Rui Costa (PT), dizendo que o petista não construiu uma escola na Bahia durante seu governo, o postulante ao Palácio de Ondina pelo DEM, José Ronaldo de Carvalho, voltou atrás após a Secretaria Estadual de Educação (SEC) informar ao Bahia Notícias que a administração estadual inaugurou 30 unidades escolares e disse que acusação era apenas uma forma de "chamar ele para o debate sobre isso, para ele cair na realidade".

"É muito pouco. Isso confirma que ele não fez escolas. É insignificante. Eu sabia que tinha algo em torno de 20. [...] Um governador que fez 30 escolas é uma vergonha para um Estado tão grande. Eu como prefeito fiz 30 numa cidade como Feira de Santana. Graças a Deus ele respondeu. Pensei que não ia responder, não", disparou, em entrevista exclusiva ao BN.

José Ronaldo ainda disse que manterá o projeto da ponte Salvador-Itaparica, feito na gestão de Rui, mas ponderou. “Com dinheiro público, não. Com dinheiro do povo da Bahia, não. Com dinheiro de uma PPP, sim. Vou repetir esse assunto: se for para colocar dinheiro do povo da Bahia, não. A Bahia não tem capacidade econômico-financeira para fazer essa obra. Só para você ter uma ideia: o governo já gastou, do imposto que o baiano paga, R$ 80 milhões em projeto para essa ponte. 

O democrata comentou sobre o baixo desempenho nas pesquisas. De acordo com ele, há dois levantamentos: o do 8% das intenções de votos – divulgado pelo Ibope – e o de 18%, do Instituto Real Time Big. “Estou acreditando na pesquisa de 18%. E acho, inclusive, que eu estou até acima disso”.


Qual o maior problema do estado e qual seria a solução?
São vários. Mas principalmente hoje é a saúde pública e segurança pública. A Bahia seguramente é o estado mais violento do país. Uma omissão total do governo para combater a questão da segurança pública. Estamos vivendo uma verdadeira guerra civil. Temos uma população é que 1/3 de São Paulo, e temos sete mil mortes ano passado, enquanto São Paulo teve 3,5 mil. Temos um número fantástico de estupro na Bahia. Um número gigantesco. Cresceu de forma violenta no governo do PT. Mais de 100% de crescimento. Temos uma tropa da Polícia Militar que é praticamente a mesma tropa de 18 anos atrás. Temos uma polícia sem equipamentos para poder trabalhar. Então isso é uma situação gravíssima na segurança pública. Em todos os locais que a gente chega, 100% dos municípios dizem que não existe segurança. Temos 83 cidades que tínhamos agências bancárias e não tem mais agências bancárias. As pessoas hoje vão buscar, em outra cidade, seus salários ou pagamentos diversos. Como solucionar isso? Evidentemente é investindo. O investimento da Bahia hoje é 25% da publicidade. Se gastou ano passado 210 milhões de reais em publicidade, e gastou R$ 56 milhões em investimento na segurança pública. Tem de aumentar a tropa, estimular a tropa, estimular a Polícia Civil. Temos 180 cidades na Bahia sem delegado de polícia. Tem cidades gigantescas, como Campo Famoso que tem dois policiais civis. São coisas absurdas que tem que ser resolvidos, com gestão, determinação e coragem.

Qual a diferença da sua candidatura para as demais?
Não sei. Não vou ficar comparando minha candidatura com a dos outros. Vou fazer a minha campanha. Minha campanha está sendo feita com muita vantagem. Com muita vontade, determinação. Voltando [a pergunta anterior]: A saúde pública também é um caos. Que a Bahia que teve os piores índices de mortalidade infantil, volte a ter saúde importante para todos.

Qual é o seu candidato à presidência da República? Por que escolheu apoiá-lo?
Olha, meu voto pessoal é do Alckmin [Geraldo, PSDB], mas tenho viajado a Bahia. Tenho conversado ouvindo as pessoas muito. As pessoas têm demonstrado vários interesses em voto presidencial. Então tem gente que me diz que me apoia, mas voto no Ciro, na Marina. Estou, evidentemente, trabalhando arduamente dentro desse processo e respeitando as decisões políticas de democráticas de cada cidadão. Eu acredito que essa eleição só vai ser decidida no segundo turno, então nós estamos fazendo campanha muito árdua e respeitando as escolhas das pessoas.

O senhor é tradicionalmente associado a uma figura pacata e, apesar de eleito quatro vezes prefeito de Feira, nunca foi obrigado a "atacar" um adversário. Essa eleição, no entanto, o obriga a mudar de postura. Como fazer ataques sem parecer falso diante da sua história pregressa?
Eu não ataco ninguém. Continuo sem atacar ninguém. Eu não falo de ninguém.

Mas o senhor vem adotando umas críticas mais fortes ao governo do Estado, sobretudo.
Verdade. Concordo 100%. Mas isso não é ninguém. Isso é o governo. A estrutura administrativa do Estado. Não falo do governador. Falo do governo que ele é líder. O governo é muito ruim na segurança, na saúde, na educação, ao combate ao desemprego. Isso eu falo, e vou falar a campanha toda. Eu não me refiro a pessoa, cidadão. O homem público é passivo de críticas, como eu também sou.


O senhor tem feito críticas ao governador. Diz que ele não construiu uma escola no Estado. Mas, de acordo com a Secretaria de Educação, 30 escolas saíram do zero e foram inauguradas no governo Rui Costa. O senhor então acredita que a secretaria esteja mentindo os números?
Ah, te responderam? [A Secretaria de Educação]. Eu gostaria dessa resposta. Pois eu estou falando isso há um ano.

O senhor acredita que a Secretaria está mentindo com esses números?
Não! Eu adorei a resposta.

Foram 30 escolas...
É muito pouco. Isso confirma que ele não fez escolas.

Mas fez 30...
Meu amigo, é insignificante. Eu sabia que tinha algo em torno de 20.

Mas o senhor disse nos debates que ele não fez nenhuma. 0 é diferente de 30...
Ah, não senhor. É para chamar ele para o debate sobre isso. Para ele cair na realidade. Um governador que fez 30 escolas é uma vergonha para um Estado tão grande. Eu como prefeito fiz 30 numa cidade como Feira de Santana. Graças a Deus, ele respondeu. Pensei que não ia responder, não.

O senhor coloca a segurança pública como uma de suas prioridades em um eventual governo. No seu programa de governo, entre as propostas colocadas para área, estão as seguintes: combate eficiente e eficaz às organizações criminosas que têm intimidado a sociedade e combate sistêmico ao tráfico de armas, narcotráfico, tráfico de pessoas e órgãos, combate aos crimes cibernéticos e assaltos a bancos, entre outros. No entanto, essas propostas são colocadas de forma genérica, sem explicar como isso será efetivamente feito. Então, pergunto: como o senhor pretende colocá-las em prática?
O governante, evidente, é fácil colocar em prática. Primeiro é instituir uma equipe de governo competente. Segurança pública não pode misturar com política. Nós temos segurança pública, saúde pública que têm que ser compostas por pessoas extremamente preparadas, que conheçam a segurança pública. Eu disse lá atrás que vou comandar isso. Chamar as pessoas e cobrar resultados. Estou apresentando nossas ideias. Fizemos com grupo de técnicos, de assessores. São pessoas estudiosas que conhecem isso. Aquilo que é bom a gente pode copiar. Veremos o melhor do que há de positivo para trazer. É simples, unidades policiais de resposta rápida. Tem que ter ações práticas e objetivas para dar segurança ao cidadão. Está bem práticas nossas coisas aí, bem objetiva.


Uma das principais propostas de Rui em relação à infraestrutura é a construção da ponte Salvador-Itaparica, que tem ganhado até uma conotação lendária porque nunca saiu do papel. O governador, no entanto, pretende fazer a licitação ainda este ano. Mas, caso o senhor seja eleito, pretende dar continuidade a ela ou acha que a obra não é necessária?
Com dinheiro público, não. Com dinheiro do povo da Bahia, não. Com dinheiro de uma PPP, sim. Vou repetir esse assunto: se for para colocar dinheiro do povo da Bahia, não. A Bahia não tem capacidade econômico-financeira para fazer essa obra. Só para você ter uma ideia: o governo já gastou, do imposto que o baiano paga, R$ 80 milhões em projeto para essa ponte. Então, deu quantia de dinheiro importante para fazer o projeto.

Então, se já gastou esses R$ 80 milhões, o senhor manteria esse projeto?
O projeto, sim. Mas para fazer obra em si com dinheiro público, não. Só PPP. O projeto está feito e será preservado. Aquilo que for positivo manterei e aquilo que eu achar negativo eu tiro. Não sou político de perseguir ninguém, principalmente na questão pública. Só estou deixando claro: o que é uma PPP? É o que existe Feira- Salvador. Na rodovia, na linha-verde. Coisas dessa natureza.

Sobre saúde. Desde 2012, ambulâncias do Samu que foram entregues em cidades como Irará, Amélia Rodrigues, Riachão do Jacuípe, seguem paradas. Além da crítica dos municípios ao governo federal por não repassar recursos suficientes, eles também reclamam que Feira de Santana, que seria responsável pela regulação desse Samu regional, não faz a parte dela. Dizem que Feira não realiza concurso para contratação de pessoal e isso atrasa tudo. Como o senhor pretende resolver essa questão do Samu regional?
Isso é uma inverdade. Essa colocação que deram a você para fazer essa pergunta, quem passou essas informações estão faltando com a verdade. Não existe isso. Aliás, o govenador disse isso no debate, e eu disse que ele estava faltando com a verdade. Fui mais educado. Eu disse que ele estava mal informado pela Secretaria de Saúde do Estado dele. Esse caso é um simples e eu explico rápido. Quando assumi a prefeitura em 2013, a primeira providência que fiz convocar todos os prefeitos dessas cidades: Ipirá, Anguera, Santo Estevão, São Gonçalo dos Campos, Conceição do Jacuípe, Irará, Amélia Rodrigues e Riachão do Jacuípe. Fizemos uma reunião com os prefeitos e secretários de saúde, e disse que Feira estava à disposição para implantar esse serviço. Os prefeitos disseram que não tinham dinheiro. O esquema é o seguinte: o Samu de Feira funciona muito bem. Referência nacional. Para implantar o regional, só Irará e Conceição do Jacuípe levaram adiante o projeto e implantaram. Eles [os que não tinham dinheiro] queriam que o governo ajudasse. Isso não depende do município de Feira. 



Há praticamente cinco meses houve o anúncio de que o senhor seria o candidato do DEM ao governo do estado. Mesmo assim, a última pesquisa Ibope ainda o coloca com menos de 10% das intenções de voto. Como acreditar que sua candidatura será competitiva contra Rui Costa?
São duas pesquisas. Uma de 18 [% das intenções] e outra de 8. Quem é meu amigo fala da de 18, meu adversário fala da de 8. Qual é a verdadeira? Qual é a realmente que está valendo? Veja bem, as pessoas falam mal do Ibope também. Falam que o Ibope já errou muito na Bahia. Essa questão de pesquisa, não discuto. O povo que decide.

O senhor acredita em pesquisas?
Eu respeito. Não é porque não estou na frente que não respeito. Respeito, sim. Agora, existe erro. Estou acreditando na de 18%. Acho, inclusive, que estou até que acima disso.

Ao contrário do governador Rui Costa, que tem usado extremamente a figura do ex-presidente Lula em sua campanha à reeleição, o senhor quase nunca tem mencionado o nome de Geraldo Alckmin, que é, inclusive, o candidato apoiado pelo seu partido nacionalmente. Por que o senhor está suprimindo a figura dele em sua campanha? E mais: Rui tem um padrinho que aparece com até 39% nas pesquisas. Seu candidato, Alckmin, ainda nem chegou aos dois dígitos. O senhor não tem medo de ser prejudicado por não ter alguém que ajude a alavancar a campanha, como Rui o tem na figura do Lula?
Faço a minha campanha, tenho a minha vida, quero ser governador dos baianos. Eu, José Ronaldo. Ficar usando nome de outros candidatos é porque eu acho que não tem o que mostrar ao povo da Bahia.

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