quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Cuba decide sair do Programa Mais Médicos após declarações de Bolsonaro


Cuba decide sair do Programa Mais Médicos após declarações de Bolsonaro
Foto: Karina Zambrana / ASCOM MS
O governo de Cuba informou nesta quarta-feira (14) que decidiu sair do Programa Mais Médicos no Brasil. A medida está relacionada a declarações “ameaçadoras e depreciativas” do presidente eleito Jair Bolsonaro.

“Diante desta lamentável realidade, o Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do Programa Mais Médicos e assim o comunicou à diretora da Organização Pan-Americana da Saúde e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam esta iniciativa”, diz a nota do governo.

A decisão foi tomada depois que Bolsonaro questionou a preparação dos médicos cubanos e condicionou a permanência dos profissionais no programa à revalidação do diploma e como única via a contratação individual. Atualmente, cerca de 11 mil médicos de Cuba trabalham no Brasil.

O ministério ressalta que, nos últimos cinco anos, cerca de 20 mil colaboradores cubanos atenderam a mais de 113 milhões de pacientes, em mais de 3,6 mil municípios. “Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história”.Ministro visitou quatro unidades do Programa Saúde da Família na Bahia - Foto: Leonardo Rattes | Ascom Sesab
O ministro da Saúde de Cuba, Roberto Ojeda, visitou nesta quarta-feira, 13, as cidades de Adustina e Sitio  do Quinta, no nordeste baiano (a 356 km e 405km de distância de Salvador, respectivamente), que participam do programa Mais Médicos do Governo Federal.
Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), Robeto Ojeda estava acompanhado do secretário estadual de Saúde, Jorge Solla. Os dois visitaram quatro unidades do Programa Saúde da Família, duas em cada cidade, além da residência de um casal de médicos.
O ministro e o secretário chegaram à cidade de Adustina por volta de 8h30, onde conheceram as instalações que os médicos cubanos estão atuando na Atenção Básica de Saúde, e conversaram com a população sobre os atendimentos.
Ainda segundo informações divulgadas pela Secretaria de Comunicação do Estado da Bahia (Secom), a população das duas cidades não enfrenta problemas por conta da diferença de idioma.
Na Bahia, 320 médicos cubanos estão atuando em 144 municípios e, de acordo com o secretário Jorge Solla, até o final do ano mais 350 médicos cubanos devem chegar ao estado.

Por meio do Twitter, Jair Bolsonaro afirmou que o governo cubano não aceitou as condições estabelecidas para manutenção do programa. “Condicionamos a continuidade do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, escreveu. Atualizado às 13h14.

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